1 – fundamentos da gestão da qualidade

Curso ISO 9001:2015 EAD: fundamentos, história, autores, princípios, PDCA e melhoria contínua

Carga horária: 6 horas

Palavras-chave SEO: ISO 9001:2015, curso ISO 9001 EAD, gestão da qualidade, fundamentos da qualidade, evolução histórica da qualidade, princípios da qualidade, ciclo PDCA, melhoria contínua, sistema de gestão da qualidade, qualidade organizacional, certificação ISO 9001.

Este módulo apresenta os fundamentos necessários para compreender a ISO 9001:2015 como parte de uma tradição histórica mais ampla da gestão da qualidade. Antes de interpretar requisitos normativos, é essencial compreender como a qualidade evoluiu, quais autores contribuíram para sua consolidação, quais conceitos sustentam um Sistema de Gestão da Qualidade e por que princípios como foco no cliente, liderança, abordagem por processos, tomada de decisão baseada em evidências e melhoria contínua são centrais para organizações modernas.

Objetivos de aprendizagem

Ao final deste módulo, o aluno deverá ser capaz de explicar a evolução histórica da qualidade, reconhecer os principais autores da área, diferenciar conceitos fundamentais, compreender a gestão da qualidade como prática estratégica, identificar os princípios da qualidade, aplicar a lógica do ciclo PDCA e relacionar melhoria contínua com desempenho organizacional.

1. evolução histórica da qualidade

A qualidade nem sempre foi compreendida como um sistema de gestão. Em seus primeiros momentos, ela estava associada à habilidade artesanal, à inspeção direta do produto e à reputação do produtor. Em sociedades pré-industriais, o artesão dominava todo o processo de produção: escolhia a matéria-prima, executava o trabalho, corrigia falhas e entregava o produto ao cliente. A qualidade, nesse contexto, dependia fortemente da experiência individual, da tradição técnica e da relação direta entre quem produzia e quem consumia.

Com a Revolução Industrial, especialmente a partir dos séculos XVIII e XIX, a produção passou a ser organizada em grande escala, com divisão do trabalho, máquinas, padronização e aumento do volume produtivo. Essa transformação ampliou a produtividade, mas também criou novos problemas: produtos defeituosos, variação nos processos, desperdícios e perda do controle direto sobre cada etapa da fabricação. A qualidade, então, passou a ser tratada como inspeção, isto é, como verificação do produto ao final do processo.

No início do século XX, a qualidade começou a assumir base científica com o desenvolvimento do controle estatístico do processo. Walter A. Shewhart, trabalhando nos Bell Laboratories, desenvolveu em 1924 o gráfico de controle, marco fundamental para a compreensão da variação nos processos produtivos. Esse avanço permitiu diferenciar variações comuns, próprias do sistema, de variações especiais, associadas a causas identificáveis. Com isso, a qualidade deixou de depender apenas da inspeção final e passou a envolver o controle do processo durante sua execução (Best; Neuhauser, 2006).

A partir da Segunda Guerra Mundial, a gestão da qualidade ganhou enorme importância industrial, econômica e estratégica. Autores como W. Edwards Deming e Joseph M. Juran contribuíram decisivamente para a reconstrução industrial japonesa no pós-guerra, defendendo que a qualidade deveria ser compreendida como responsabilidade da gestão, e não apenas como função técnica de inspeção. A qualidade passou a envolver liderança, planejamento, métodos estatísticos, envolvimento das pessoas, redução de variação e melhoria sistemática.

Nas décadas seguintes, a qualidade evoluiu para modelos mais amplos, como garantia da qualidade, controle da qualidade total, gestão da qualidade total e sistemas normativos internacionais. A série ISO 9000 consolidou uma linguagem comum para organizações de diferentes países, setores e portes. A ISO 9001:2015, em especial, define requisitos para estabelecer, implementar, manter e melhorar continuamente um Sistema de Gestão da Qualidade, com foco em desempenho, atendimento aos requisitos dos clientes e melhoria da organização (Iso, 2026).

Caixa explicativa 1: da inspeção ao sistema de gestão

A evolução da qualidade pode ser compreendida em quatro grandes movimentos: inspeção do produto, controle estatístico do processo, garantia da qualidade e gestão estratégica da qualidade. Na inspeção, a preocupação principal era separar produtos bons e ruins. No controle estatístico, a atenção deslocou-se para a estabilidade dos processos. Na garantia da qualidade, surgiram procedimentos, registros e padronizações. Na gestão estratégica, a qualidade passou a envolver liderança, cultura, riscos, processos, clientes e melhoria contínua.

Fonte: Best e Neuhauser (2006); Iso (2026).

2. principais autores da qualidade

A gestão da qualidade foi construída por diferentes autores, cada um deles contribuindo com conceitos, métodos e práticas que ainda hoje influenciam a ISO 9001:2015. Walter A. Shewhart é considerado uma das bases do controle estatístico da qualidade, pois demonstrou que os processos apresentam variações e que essas variações precisam ser compreendidas antes que decisões corretivas sejam tomadas (Best; Neuhauser, 2006).

W. Edwards Deming aprofundou a visão sistêmica da qualidade. Para Deming, muitos problemas organizacionais não decorrem apenas de falhas individuais, mas de sistemas mal desenhados, ausência de liderança adequada, metas mal formuladas e processos instáveis. Sua contribuição também está associada ao ciclo de melhoria contínua, popularmente conhecido como ciclo de Deming, embora sua origem esteja relacionada às ideias de Shewhart. O Instituto Deming descreve o ciclo PDSA como um processo sistemático de aprendizagem e melhoria de produtos, processos e serviços (Deming Institute, 2026).

Joseph M. Juran contribuiu com a ideia de que a qualidade deve ser planejada, controlada e melhorada. Sua trilogia da qualidade, composta por planejamento da qualidade, controle da qualidade e melhoria da qualidade, ajudou gestores a compreenderem a qualidade como processo administrativo. Juran também destacou que qualidade envolve adequação ao uso, isto é, capacidade de um produto ou serviço atender às necessidades reais de seus usuários.

Kaoru Ishikawa ampliou a participação das pessoas na qualidade, defendendo o envolvimento dos trabalhadores, os círculos de controle da qualidade e o uso de ferramentas simples para análise de problemas. O diagrama de causa e efeito, também chamado de diagrama de Ishikawa ou espinha de peixe, tornou-se uma das ferramentas mais conhecidas para investigação de causas de não conformidades.

Philip Crosby tornou-se conhecido pela defesa do conceito de “zero defeito” e pela ideia de que qualidade significa conformidade com requisitos. Sua contribuição é importante porque reforça que falhas, retrabalhos e desperdícios geram custos, e que investir em prevenção costuma ser mais eficiente do que corrigir problemas depois que eles ocorrem.

Armand Feigenbaum contribuiu com a noção de controle da qualidade total, compreendendo que a qualidade não pertence apenas ao setor de inspeção ou ao departamento da qualidade. Para ele, todos os setores participam da construção da qualidade: compras, produção, vendas, atendimento, engenharia, logística, liderança e suporte administrativo.

Caixa explicativa 2: por que estudar os autores clássicos?

Estudar Deming, Juran, Shewhart, Ishikawa, Crosby e Feigenbaum ajuda o aluno a compreender que a ISO 9001:2015 não surgiu isoladamente. A norma organiza, em linguagem internacional, uma tradição construída ao longo de décadas: controle estatístico, liderança, planejamento, foco no cliente, prevenção de falhas, melhoria contínua, participação das pessoas e gestão por processos.

Fonte: Best e Neuhauser (2006); Iso (2015); Deming Institute (2026).

3. conceitos fundamentais da qualidade

Qualidade pode ser compreendida como a capacidade de um produto, serviço, processo ou sistema atender requisitos explícitos e implícitos. Em uma perspectiva organizacional, qualidade não significa apenas ausência de defeitos, mas capacidade de gerar valor, satisfazer clientes, cumprir requisitos legais e regulamentares, reduzir variabilidade, melhorar processos e sustentar resultados.

Um requisito é uma necessidade ou expectativa declarada, geralmente obrigatória ou implícita. Em um curso sobre ISO 9001:2015, esse conceito é essencial, pois o Sistema de Gestão da Qualidade deve garantir que os requisitos do cliente, os requisitos legais, os requisitos regulamentares e os requisitos internos da organização sejam compreendidos, atendidos e monitorados.

Outro conceito central é processo. Processo é um conjunto de atividades relacionadas que transforma entradas em saídas. Em uma instituição de ensino, por exemplo, o processo de matrícula recebe como entrada documentos, dados do aluno e pagamento; como saída, gera vínculo acadêmico, acesso à plataforma e registro institucional. Em uma indústria, matéria-prima e especificações técnicas entram no processo produtivo e resultam em produtos acabados.

A noção de cliente também precisa ser ampliada. Cliente não é apenas quem compra um produto. Pode ser usuário, paciente, aluno, empresa contratante, órgão regulador ou parte interessada que recebe o resultado de um processo. A ISO 9001:2015 trabalha com a ideia de satisfação do cliente e atendimento a requisitos, o que exige escuta, monitoramento e melhoria constante.

Conformidade significa atendimento a um requisito. Não conformidade significa não atendimento a um requisito. Correção é a ação tomada para eliminar uma não conformidade detectada. Ação corretiva é a ação tomada para eliminar a causa de uma não conformidade e evitar sua repetição. Essa distinção é decisiva para a gestão da qualidade, pois corrigir o erro imediato não é o mesmo que eliminar sua causa.

4. gestão da qualidade

Gestão da qualidade é o conjunto de atividades coordenadas para dirigir e controlar uma organização no que se refere à qualidade. Ela envolve planejamento, definição de responsabilidades, gestão de processos, controle de documentos, análise de riscos, monitoramento de indicadores, auditorias, tratamento de não conformidades, ações corretivas e melhoria contínua.

Na ISO 9001:2015, a gestão da qualidade é tratada como parte da gestão do negócio. Isso significa que a qualidade não pode ser reduzida a formulários, certificados ou auditorias. Ela precisa estar conectada à estratégia, ao contexto da organização, às necessidades das partes interessadas, à liderança, aos objetivos e à capacidade da organização de entregar resultados consistentes (Iso, 2026).

Um Sistema de Gestão da Qualidade bem estruturado ajuda a organização a padronizar atividades críticas, reduzir falhas, melhorar a comunicação interna, definir responsabilidades, medir desempenho e tomar decisões com base em evidências. Segundo a ISO, a ISO 9001:2015 fornece uma estrutura para que organizações entreguem produtos e serviços consistentes, melhorem a eficiência e atendam expectativas de clientes e requisitos aplicáveis (Iso, 2026).

A gestão da qualidade também possui uma dimensão cultural. Organizações maduras não tratam a qualidade como obrigação imposta por auditorias externas. Elas desenvolvem uma cultura em que as pessoas compreendem seus processos, reconhecem problemas, registram evidências, analisam causas, propõem melhorias e aprendem com falhas. A qualidade, nesse sentido, é um modo de gerir e aprender.

5. princípios da qualidade

A família ISO 9000 está baseada em sete princípios da gestão da qualidade: foco no cliente, liderança, engajamento das pessoas, abordagem por processos, melhoria, tomada de decisão baseada em evidências e gestão de relacionamento. Esses princípios orientam a interpretação da ISO 9001:2015 e ajudam a organização a construir um Sistema de Gestão da Qualidade coerente e eficaz (Iso, 2015).

5.1 foco no cliente

O foco no cliente significa compreender necessidades atuais e futuras, atender requisitos e buscar superar expectativas. Em termos práticos, uma organização com foco no cliente monitora satisfação, reclamações, devoluções, atrasos, falhas de atendimento, percepção de valor e requisitos contratuais. Não basta produzir bem; é necessário produzir aquilo que atende ao cliente e aos requisitos aplicáveis.

5.2 liderança

Liderança significa criar unidade de propósito, direção e ambiente favorável ao alcance dos objetivos da qualidade. A alta direção não deve apenas delegar a qualidade ao setor responsável. Ela precisa demonstrar compromisso, estabelecer política, apoiar recursos, acompanhar indicadores e promover uma cultura orientada para processos e melhoria.

5.3 engajamento das pessoas

A qualidade depende das pessoas. Processos não funcionam apenas por documentos, mas por trabalhadores capacitados, conscientes de suas responsabilidades e envolvidos com os resultados. O engajamento das pessoas exige treinamento, comunicação, reconhecimento, participação e clareza sobre como cada função contribui para a qualidade.

5.4 abordagem por processos

A abordagem por processos permite compreender a organização como um conjunto de atividades interligadas. Quando as entradas, saídas, responsáveis, riscos, recursos e indicadores são definidos, torna-se mais fácil controlar resultados e identificar melhorias. Essa abordagem é central para a ISO 9001:2015.

5.5 melhoria

A melhoria é indispensável para manter desempenho, reagir a mudanças e criar novas oportunidades. Melhorar não significa apenas corrigir problemas, mas também aperfeiçoar processos, reduzir desperdícios, aumentar eficiência, prevenir falhas e elevar a satisfação do cliente.

5.6 decisão baseada em evidências

A tomada de decisão baseada em evidências exige dados confiáveis. Indicadores, auditorias, registros, reclamações, pesquisas de satisfação, análises de desempenho e resultados de processos ajudam a organização a decidir com menor subjetividade. Sem evidência, a gestão fica vulnerável a opiniões, improvisos e decisões pouco sustentadas.

5.7 gestão de relacionamento

A organização depende de relações com fornecedores, clientes, parceiros, colaboradores, órgãos reguladores e demais partes interessadas. A gestão adequada desses relacionamentos melhora a confiança, reduz riscos, fortalece a cadeia de fornecimento e contribui para resultados sustentáveis.

Caixa explicativa 3: os sete princípios como base da ISO 9001:2015

Os sete princípios da gestão da qualidade não são apenas conceitos teóricos. Eles funcionam como fundamentos para interpretar e aplicar a ISO 9001:2015. Uma organização pode ter documentos, certificados e procedimentos, mas, se não tiver foco no cliente, liderança, pessoas engajadas, processos definidos, melhoria, evidências e bons relacionamentos, seu Sistema de Gestão da Qualidade tende a ser apenas formal.

Fonte: Iso (2015); Asq (2026).

6. ciclo PDCA

O ciclo PDCA é uma das ferramentas mais importantes da gestão da qualidade. A sigla corresponde a quatro etapas: planejar, executar, verificar e agir. Sua lógica está ligada à aprendizagem organizacional e à melhoria contínua, pois propõe que os processos sejam planejados, testados, avaliados e ajustados de forma sistemática.

Na etapa planejar, a organização identifica o problema, define objetivos, analisa dados, compreende causas, estabelece metas e cria um plano de ação. Na etapa executar, o plano é colocado em prática, preferencialmente de forma controlada e acompanhada. Na etapa verificar, os resultados são medidos e comparados com o que foi planejado. Na etapa agir, a organização padroniza o que deu certo, corrige desvios e reinicia o ciclo quando necessário.

O ciclo PDCA está relacionado à tradição de Shewhart e Deming. O Instituto Deming apresenta o PDSA, planejar, executar, estudar e agir, como um método sistemático para obter aprendizagem e conhecimento voltados à melhoria contínua de produtos, processos ou serviços (Deming Institute, 2026). Embora PDCA e PDSA sejam frequentemente usados de modo próximo, a ênfase no “estudar” reforça a necessidade de aprender com os dados, e não apenas verificar mecanicamente resultados.

Na ISO 9001:2015, a lógica do PDCA aparece como base do Sistema de Gestão da Qualidade. A organização planeja seu sistema, executa processos, monitora desempenho, realiza auditorias, analisa resultados e implementa melhorias. Assim, o PDCA não é apenas uma ferramenta isolada, mas uma forma de pensar a gestão.

7. melhoria contínua

Melhoria contínua é o esforço permanente para aumentar a capacidade da organização de atender requisitos, melhorar desempenho e gerar valor. Ela pode ocorrer por pequenas melhorias incrementais, por projetos estruturados, por inovação, por correção de causas de problemas ou por mudanças planejadas nos processos.

Na gestão da qualidade, melhoria contínua não deve ser confundida com mudança aleatória. Melhorar exige método, evidência, análise de causa, acompanhamento de resultados e padronização. Uma melhoria só se sustenta quando é incorporada ao processo, comunicada às pessoas, registrada quando necessário e acompanhada por indicadores.

Estudos sobre a ISO 9001:2015 indicam que organizações buscam a implementação de Sistemas de Gestão da Qualidade tanto por motivações externas, como exigências de clientes e mercado, quanto por motivações internas, como melhoria de processos, organização gerencial e aumento de desempenho. Bravi, Murmura e Santos (2019) analisaram empresas certificadas e discutiram motivações, benefícios e barreiras relacionados à adoção da ISO 9001:2015.

Para o aluno deste curso, o ponto central é compreender que a melhoria contínua não é uma etapa final, mas uma atitude permanente de gestão. Ela começa no reconhecimento de que todo processo pode ser compreendido, medido, analisado e aperfeiçoado. Essa mentalidade sustenta a ISO 9001:2015 e prepara a organização para responder melhor às mudanças, riscos, necessidades dos clientes e oportunidades de crescimento.


Resumo do módulo

Neste módulo, estudamos que a qualidade evoluiu de uma prática artesanal e de inspeção para um sistema de gestão estruturado, baseado em processos, evidências, liderança, riscos e melhoria contínua. Conhecemos autores fundamentais, como Shewhart, Deming, Juran, Ishikawa, Crosby e Feigenbaum. Também analisamos conceitos essenciais, como requisito, processo, cliente, conformidade, não conformidade, correção e ação corretiva. Por fim, compreendemos os sete princípios da qualidade, o ciclo PDCA e a melhoria contínua como fundamentos indispensáveis para a interpretação da ISO 9001:2015.


10 perguntas discursivas

  1. Explique como a qualidade evoluiu da inspeção final para a gestão estratégica da qualidade.
  2. Qual foi a contribuição de Walter A. Shewhart para a gestão da qualidade?
  3. Explique a importância de W. Edwards Deming para a melhoria contínua.
  4. Diferencie qualidade, requisito, conformidade e não conformidade.
  5. Explique por que a gestão da qualidade não deve ser reduzida ao setor da qualidade.
  6. Quais são os sete princípios da gestão da qualidade segundo a família ISO 9000?
  7. Explique o princípio do foco no cliente e sua relação com a ISO 9001:2015.
  8. Descreva as etapas do ciclo PDCA e sua importância para a gestão organizacional.
  9. Explique a diferença entre correção e ação corretiva.
  10. Por que a melhoria contínua deve ser baseada em evidências?

Gabarito comentado

1. Explique como a qualidade evoluiu da inspeção final para a gestão estratégica da qualidade.

A qualidade evoluiu de uma prática centrada na verificação do produto acabado para uma abordagem sistêmica e estratégica. No início, especialmente em contextos artesanais, a qualidade dependia da habilidade individual do produtor. Com a industrialização, passou a ser necessário inspecionar produtos ao final da produção para separar itens conformes e não conformes. Posteriormente, com o controle estatístico, a atenção deslocou-se para o processo, buscando compreender variações e prevenir falhas. Em seguida, surgiram práticas de garantia da qualidade, com procedimentos, registros e padronizações. Finalmente, a qualidade tornou-se parte da gestão estratégica, envolvendo liderança, clientes, processos, riscos, pessoas, indicadores e melhoria contínua.

2. Qual foi a contribuição de Walter A. Shewhart para a gestão da qualidade?

Walter A. Shewhart contribuiu de forma decisiva para o controle estatístico da qualidade. Seu trabalho com gráficos de controle permitiu compreender que todo processo apresenta variações, mas que nem toda variação possui a mesma natureza. Ele diferenciou variações comuns, inerentes ao sistema, de variações especiais, associadas a causas específicas. Essa contribuição mudou a forma de gerir a qualidade, pois mostrou que a inspeção final era insuficiente. Para melhorar resultados, era necessário controlar e compreender os processos durante sua execução.

3. Explique a importância de W. Edwards Deming para a melhoria contínua.

Deming foi importante porque apresentou a qualidade como responsabilidade da gestão e como resultado do funcionamento do sistema organizacional. Ele defendeu que muitos problemas não decorrem apenas de falhas individuais, mas de processos mal planejados, liderança inadequada, ausência de método e decisões sem base em dados. Sua associação ao ciclo de melhoria contínua reforça a ideia de que organizações devem aprender continuamente, planejando mudanças, executando ações, estudando resultados e ajustando processos.

4. Diferencie qualidade, requisito, conformidade e não conformidade.

Qualidade é a capacidade de um produto, serviço, processo ou sistema atender necessidades e expectativas. Requisito é uma necessidade ou expectativa que deve ser atendida, podendo ser declarada, obrigatória ou implícita. Conformidade é o atendimento a um requisito. Não conformidade é o não atendimento a um requisito. Por exemplo, se um cliente exige entrega em cinco dias e a empresa entrega em oito, há uma não conformidade relacionada ao prazo acordado.

5. Explique por que a gestão da qualidade não deve ser reduzida ao setor da qualidade.

A gestão da qualidade não deve ser reduzida ao setor da qualidade porque os resultados dependem de todos os processos da organização. Compras, produção, atendimento, logística, vendas, recursos humanos, liderança e fornecedores influenciam diretamente a qualidade entregue ao cliente. Se apenas o departamento da qualidade for responsabilizado, a organização corre o risco de tratar problemas de forma isolada. A ISO 9001:2015 exige uma visão sistêmica, na qual a alta direção, os processos e as pessoas participam da construção da qualidade.

6. Quais são os sete princípios da gestão da qualidade segundo a família ISO 9000?

Os sete princípios são: foco no cliente, liderança, engajamento das pessoas, abordagem por processos, melhoria, tomada de decisão baseada em evidências e gestão de relacionamento. Esses princípios sustentam a interpretação da ISO 9001:2015 e orientam a construção de Sistemas de Gestão da Qualidade eficazes. Eles mostram que qualidade envolve clientes, pessoas, processos, dados, liderança, melhoria e relações organizacionais.

7. Explique o princípio do foco no cliente e sua relação com a ISO 9001:2015.

O foco no cliente significa compreender e atender as necessidades, expectativas e requisitos dos clientes. Na ISO 9001:2015, esse princípio aparece na preocupação com satisfação do cliente, conformidade de produtos e serviços, comunicação, tratamento de reclamações e monitoramento da percepção do cliente. Uma organização com foco no cliente não trabalha apenas para produzir, mas para entregar valor de forma consistente e confiável.

8. Descreva as etapas do ciclo PDCA e sua importância para a gestão organizacional.

O ciclo PDCA possui quatro etapas: planejar, executar, verificar e agir. Na etapa planejar, define-se o problema, os objetivos, as causas prováveis e o plano de ação. Na etapa executar, o plano é colocado em prática. Na etapa verificar, os resultados são avaliados e comparados com o esperado. Na etapa agir, a organização corrige desvios, padroniza boas práticas e reinicia o ciclo quando necessário. Sua importância está em oferecer método para melhoria contínua e aprendizagem organizacional.

9. Explique a diferença entre correção e ação corretiva.

Correção é a ação tomada para eliminar uma não conformidade detectada. Ação corretiva é a ação tomada para eliminar a causa da não conformidade e impedir que ela volte a ocorrer. Por exemplo, se um documento foi enviado com erro, corrigir o documento é uma correção. Investigar por que o erro ocorreu, alterar o processo de revisão, treinar a equipe e criar uma verificação antes do envio corresponde a uma ação corretiva.

10. Por que a melhoria contínua deve ser baseada em evidências?

A melhoria contínua deve ser baseada em evidências porque decisões fundamentadas apenas em opinião podem gerar ações inadequadas ou superficiais. Evidências como indicadores, registros, auditorias, reclamações, pesquisas de satisfação e análise de desempenho permitem compreender a realidade do processo. Com dados confiáveis, a organização identifica causas, define prioridades, acompanha resultados e verifica se a melhoria implementada realmente produziu efeito.


Referências bibliográficas: 

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Best, M.; Neuhauser, D. Walter A. Shewhart, 1924, and the Hawthorne factory. Quality and Safety in Health Care, v. 15, n. 2, p. 142-143, 2006. DOI: 10.1136/qshc.2006.018093. Acesso em: 7 jul. 2026.

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